Armamento e letalidade: uma relação que vai além do equipamento

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Por Edgard Mello, Gerente Operacional de Segurança da G4S Brasil


 

Armamento letal e não letal para vigilantes estratégia

 

Quando se fala do uso de armamento, é comum que uma dúvida apareça. A operação deve incluir armas letais ou não letais para a equipe de vigilantes? Porém, esse questionamento é muito simplificado. Essa é uma escolha complexa que exige conhecimento e estudo de caso.

Um dos primeiros pontos para levar em conta nessa discussão é que toda arma, seja ela de fogo ou não, é uma arma letal. Um cassetete, um taser ou um gás de pimenta também podem ser letais quando seu uso é incorreto. Embora menos letais e com menor capacidade de dano à vida e ao ambiente, essas armas também exigem cuidado, treinamento e preparo do vigilante para serem utilizadas da maneira segura.

É preciso reforçar que a baixa letalidade de uma operação não se deve ao tipo de arma escolhida, mas à conscientização sobre ela por parte dos profissionais. É preciso que o vigilante esteja ciente de quando, como e onde essa arma deve ser utilizada. Ele deve compreender suas características e os riscos envolvidos. O uso da arma deve ser sempre a barreira final da segurança, nunca a primeira.

 

Compreendendo as necessidades

 

Definir a necessidade do armamento varia de acordo com as características do ambiente, o que exige uma análise situacional aprofundada a cada caso. As informações devem ser reunidas com cautela, para que se alcance uma solução de segurança proporcional à necessidade – sem adicionar outros riscos às pessoas e ao local.

Armas menos letais transmitem uma impressão menos agressiva, o que agrega um valor importante de conforto. Isso é especialmente significativo em ambientes com grande circulação de pessoas. Porém, elas exigem o mesmo respeito, treinamento e cautela que o uso de armas de fogo. Independente do tipo de arma portado, cada vigilante deve estar ciente do uso correto e deve ter essas informações em mente o tempo todo, para evitar acidentes.

O planejamento da operação deve sempre trabalhar com a menor quantidade possível de armas. Isso porque seu uso não deve ser considerado ativo, mas sim uma última medida de segurança. Hoje, a legislação para a segurança privada é restrita e permite o uso de apenas três tipos de armas de fogo: revólver .32 ou .38, pistola 380 e escopeta .12, e apenas em situações de uso imprescindível. Essa não é e nem deve ser considerada como a principal medida de segurança para uma operação.

 

Incidentes com armamento

 

A conscientização sobre o uso de armas e o treinamento relacionado a isso devem ser constantes. Seguir as políticas de segurança e o fazer uso correto desse equipamento é o melhor jeito de garantir um ambiente seguro. Isso também permite que se trabalhe com menor risco, tanto para o vigilante quanto para as pessoas sob sua proteção.

As fases de incidente com armas são as mesmas, independente do tipo de armamento: Temor inicial (quando o profissional ainda tem medo da arma), Medo restringente (quando o medo acontece apenas quando é necessário utilizar a arma). Confiança crescente (quando o profissional começa a acreditar que não há motivo para alarme), Desrespeito ao armamento (quando o profissional descumpre as normas de uso) e, por fim, o Incidente. Evitar o desenvolvimento dessas fases é uma responsabilidade coletiva entre o vigilante e a empresa de segurança, através de treinamentos, reciclagens e políticas constantes de reforço na conscientização.

 

Soluções integradas para diminuir os riscos

 

A melhor forma de reduzir a necessidade do uso de armas de fogo é integrar outras soluções de segurança na operação. Em sítios com armazéns de produtos de alto valor agregado, a presença de vigilantes armados em todas as saídas pode ser evitada com uso de barreiras, cancelas, cercas e outras soluções de segurança perimetral. Alarmes, sensores e câmeras analíticas também são opções inteligentes para esses casos. Assim, o vigilante armado poderá reagir apenas quando e se as barreiras tecnológicas forem transpostas, diminuindo sua exposição ao risco.

É preciso compreender que reduzir o risco não é necessariamente reduzir o armamento. O uso correto desse equipamento pode ser útil e salvar vidas, desde que observada a real necessidade de sua presença na operação. Armas são a barreira final da segurança, uma ferramenta de reação a ser utilizada em último caso. Lembre-se: segurança é prevenção – e é isso que deve ser levado em conta antes de decidir como armar sua operação.

 


Edgard Mello, gerente operacional de segurança da G4S Brasil

 

Edgard Mello é gerente operacional de segurança na G4S Brasil, formado em Gestão de Segurança pela FECAP, é especialista em Ciências Policiais pela Fundação Brasileira de Ciências Policiais. Atuando com uma vasta experiência de cerca de 30 anos em gestão e planejamento de operações de segurança.

 

 


 

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